nestas noites

 

nestas noites onde as palavras se escondem nos bolsos
do que nem sabemos ser, lambemos uma lágrima torta
que teimosa escorrega pelo olhar mais atento, os horizontes misturam-se por não e por sim, só nos sonhos existem respostas francas e neles nada deixa de poder voar, com os pés cheios de barro o caminho identifica-se
nas pequenas árvores que à beira da estrada ainda resistem, folhas imensas do tamanho de um chapéu, os cheiros esses são do alecrim que carrego no bolso para não me esquecer de acordar por alguns minutos durante o dia, já não tenho saudades de rostos ou vozes, apenas de sinceridade

© Constança Lucas 2007